Solitude na Bíblia: jovem em solitude

Solitude na Bíblia: O que é, a diferença para a solidão e a importância dessa disciplina espiritual

Em tempos de pandemia, é certo que o isolamento forçado denuncia uma prática há muito esquecida pelo homem moderno: a capacidade de ficar sozinho com os próprios pensamentos. 

Verdade seja dita, a percepção de quem realmente somos nos apavora. 

Assim, encontramos na produtividade uma forma de escapar da nossa consciência e, quanto mais preenchidos os nossos dias, menor será nosso confronto interno. 

No meio de tanta inquietação e angústia, só nos resta questionar: por que alguém intencionalmente buscaria sentir-se assim?

Neste post vamos ver como esse tempo a sós pode ser edificante para nossa fé e por que a Solitude na Bíblia é tão importante.

O que é Solitude?

Primeiramente, cabe estabelecer que, embora apresentada em alguns dicionários como sinônimo de solidão, a Solitude diz respeito a um conceito distinto. 

Vamos comparar os dois conceitos para uma melhor compreensão: 

SOLIDÃO

Se sentir só.

Sentimento de vazio interior, de que algo lhe falta…

SOLITUDE

Saber estar só, com um propósito.

Isolamento voluntário.

Estado de espírito de realização interior, de que o que se tem, basta.

Portanto, podemos ver como a Solitude não é um estado negativo, mas importante para nós. 

É quando estamos a sós que conseguimos colocar nossos pensamentos em ordem, meditar a respeito das nossas atitudes, emoções e da nossa espiritualidade.

Como podemos enxergar o salmista em sua Solitude, meditando nos seus próprios sentimentos: “por que estás abatida ó minha alma?” (Sl 42.5). A Solitude, portanto, deve ser praticada.

Como consequência imediata da desorientação, a Solitude tornou-se uma das disciplinas espirituais mais esquecidas e negligenciadas dentro das Igrejas.

Vamos entender o que a Bíblia tem a nos dizer.

Solitude na Bíblia

Uma das maiores evidências da importância da Solitude para a nossa vida mental e espiritual, é vermos como diversos personagens bíblicos adotavam a prática.

Vamos começar pela melhor referência:

O exemplo de Jesus

  • Jesus começou o seu ministério em Solitude: 40 dias no deserto (Mt 4.1-11).
  • Antes de escolher seus discípulos, passou uma noite inteira em oração (Lc 6.12).
  • No Getsêmani, antes do seu momento crucial, Ele mergulhou em profunda e voluntária Solitude, só Ele e o Pai (Mt 26.36s).

Esses são alguns exemplos dentre vários em que Jesus se retira para ficar a sós. 

Mas, Solitude não é atitude de oração, nem de louvor. É quando a música se cala e a oração acaba, restando somente o silêncio, o descanso da alma em Deus. 

Jesus nos chama da solidão para solitude:

“Vinde a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados e eu os aliviarei, aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, e vocês acharão descanso para a suas almas.” (Mt 11.29).

Jesus nos convida a desligar as outras vozes e sons e a nos retirarmos. Em meio a tantas vozes e agitação, jamais encontraremos o descanso que Ele pode nos dar em secreto (Mt 6.6).

O exemplo de Jacó

Em sua jornada de volta à terra da promessa, Jacó fez passar todos e tudo que lhe pertencia para o outro lado do ribeiro de Jaboque, ficando ele só

Naquele momento de Solitude, teve a maior experiência de sua vida: um encontro com Deus e consigo mesmo. 

A pergunta que lhe ressoou aos ouvidos foi: “como te chamas?”. Ou, em outras palavras: “como você pode ser chamado, ou conhecido?”. 

E ele teve que responder: “Jacó”, que significa enganador, usurpador, mau caráter. Esse olhar para dentro de si mesmo trouxe uma transformação maravilhosa sobre a vida de Jacó. 

O seu nome foi mudado de Jacó para Israel, que significa Príncipe de Deus que luta, representando a mudança interior que estava acontecendo no “velho Jacó” (Gn 32.22s).

A importância da Solitude 

E como isso se aplica a nós?

Também precisamos travar essa luta com nós mesmos. 

Nossos medos, carências, necessidade de reconhecimento e aceitação, assim como toda a nossa natureza pecaminosa precisa ser confrontada. 

A nossa fuga do silêncio e da quietude aponta para o nosso medo de ficar sozinhos, e nos impulsiona para a multidão, para o barulho e distração constante.

A Solitude nos livra da dependência excessiva da vida emocional, do sentimentalismo superficial, das relações vazias e da busca incessante de fontes de prazer instantâneo.

Encontrando a alegria em estar sozinho 

A fonte da nossa verdadeira alegria é Cristo (Sl 16.11), e Ele precisa de espaço no nosso interior para arrumar a Sua morada. Ele precisa de silêncio para falar ao nosso coração, precisa nos confrontar com aquilo que somos para fazer de nós algo melhor!

Solitude é a mortificação dos apetites sensoriais para aprender a descansar e ter intimidade com Deus

É quando abrimos mão da animação constante, de estar por dentro do fluxo interminável de informações das redes sociais, do entretenimento, da satisfação imediata, para interiorizar o nosso foco. 

É quando eliminamos os ruídos ao nosso redor para ouvir o som do nosso coração, e ajustar as suas batidas no ritmo do coração de Deus.

Como colocar a Solitude em prática?

A Palavra só torna-se prática em nossas vidas quando é dotada de aplicabilidade pessoal. 

Para tanto, existem atitudes internas e externas que podem nos proporcionar a paz e quietude da alma.

Atitudes internas:

  • Dê menos importância a opinião dos outros. Gaste mais tempo com você e com a voz de Deus. É aí que a sua verdadeira identidade é forjada.
  • Não tente se justificar. Jesus foi levado como “ovelha muda” perante os seus tosquiadores. Trabalhe o silêncio e a paz na sua própria consciência, e não diante dos olhos dos outros.
  • Mesmo em meio às tarefas do cotidiano, mantenha no coração um silêncio interior.

Atitudes Externas:

  • Eleja um lugar tranquilo na sua casa para silêncio e solitude.
  • Retire-se ocasionalmente, a sós, para reorientar em Deus os seus pensamentos, sentimentos e direção de vida.
  • Durante o dia, faça pequenas pausas para a Solitude: no trânsito, na xícara de café da manhã, no almoço…
  • Dedique uns minutos a contemplação: no por do sol, das estrelas a noite…
  • E por fim, discipline-se para falar pouco e dizer muito. Não jogue palavras ao vento: “ Na multidão de palavras não falta pecado, mas o sábio refreia os seus lábios.” (Pv 10.19).

Se desejamos estar com os outros de forma significativa, de modo a fazer a diferença e ser boa companhia, devemos primeiro buscar no silêncio e na Solitude em Deus a sabedoria e o prazer da nossa própria companhia.

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2 thoughts on “Solitude na Bíblia: O que é, a diferença para a solidão e a importância dessa disciplina espiritual

  1. Texto incrível! Fundamental aprendermos a tirar um tempo a sós e calar as vozes exteriores. É uma disciplina cada dia mais esquecida. Texto inspirador.

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