Abuso infantil e a Igreja

Maio Laranja: Abuso Infantil e o Papel da Igreja

A infância e adolescência são períodos extremamente importantes no desenvolvimento cognitivo e social do ser humano. 

É uma fase de descobertas e construção, onde as maiores questões sobre si mesmo são evidenciadas.

A psicóloga Luísa Habigzang, mencionando o estatuto da Criança e adolescente, explica que essas são as etapas em que o indivíduo desenvolve suas capacidades cognitivas, afetivas e físicas e são períodos importantes para a aprendizagem de habilidades sociais.

Por isso, crianças e adolescentes são considerados sujeitos em condição peculiar de desenvolvimento de suas potencialidades e é responsabilidade de toda a sociedade e poder público garantir os direitos fundamentais delas.

No entanto, essa fase pode ser ameaçada por um inimigo devastador e terrível: o abuso sexual infantil

E como igreja, cidadãos, seguidores de Jesus Cristo, o que estamos fazendo por essas crianças?

Abuso Infantil e a Igreja

Abuso infantil e igreja têm tido uma correlação problemática nas últimas décadas, com inúmeros casos no qual ela assumiu o papel de vilã. 

Enquanto o seu papel deveria ser de justiça e retidão, refúgio e abrigo, a igreja acabou se tornando uma das prisões de crianças inocentes.

A realidade é triste e essa mancha certamente não será apagada, mas o que eu e você, como embaixadores de Cristo na terra podemos fazer, hoje, para dar voz aos pequeninos silenciados? 

Como evitar que esse tipo de atrocidade aconteça, seja nas igrejas, em casa, ou em qualquer outro lugar? 

Quais são os sinais? O que a bíblia fala sobre isso?

O mês de maio foi escolhido como o mês da conscientização do abuso sexual de crianças e adolescentes, e para representá-lo, o laranja. 

Diversos meios de comunicação abraçaram essa causa tão delicada e durante o mês inteiro estão sendo compartilhadas informações.  

O dia 18 de maio é o dia nacional do combate ao abuso infantil e nós precisamos falar sobre isso.

O assunto é horrível, eu concordo. Porém, se fecharmos nossos olhos o problema não deixa de existir, omitir-se nesses casos é ser cúmplice e conivente com esse pecado e crime

Dados sobre o abuso infantil no Brasil 

Segundo dados divulgados pelo Governo Federal, a cada hora 3 crianças são abusadas no Brasil.

80% dos abusos, acontecem dentro de casa, sendo muitas vezes praticado por parentes ou amigos da família.

1 em cada 3 a 4 meninas será vítima de abuso ou exploração sexual antes dos 18 anos, mas os meninos também não ficam fora disso, 1 em cada 6 a 10 também .

Maria Amélia Azevedo e Viviane Guerra, autoras do livro “Infância e Violência doméstica: fronteiras do conhecimento”, constataram em pesquisa que no município de São Paulo, são raros os casos denunciados aos órgãos públicos, 6,5% das vítimas são meninos e nos casos de incestos, 70% das vezes o autor do abuso foi o próprio pai

Além disso, o abuso não ocorre apenas nas classes menos favorecidas, como se imagina, mas são frequentes inclusive nas classes economicamente privilegiadas.

Aumento de abusos entre crianças devido a pornografia

O potencial de dano da exposição a pornografia não é novidade para ninguém, mas se tratando de abuso infantil as notícias são ainda mais assustadoras. 

A exposição a pornografia em crianças e adolescentes das mais diversas idades têm sido responsável pelo aumento de comportamento sexual prejudicial infantil, o abuso entre crianças.

Um grupo de defesa à criança nos EUA reportou um aumento nas denúncias de abusos infantis realizados por outras crianças.

Quando perguntadas sobre o assunto, a resposta mais comum era a de que eles haviam aprendido aquilo na internet

Isso, somado a diversos casos em que materiais pornográficos foram encontrados nos celulares dos agressores.

O problema teve uma quantidade tão assustadora de casos reportados (não apenas no Alabama, onde esse grupo está, mas em vários outros estados), que o tema foi abordado em um simpósio em Washington D.C.

Consequências do abuso infantil na vida adulta

Para a maioria dos pesquisadores, o abuso sexual infantil é facilitador para o aparecimento de psicopatologias graves, prejudicando a evolução psicológica, afetiva e social da vítima. 

Os efeitos do abuso na infância podem se manifestar de várias maneiras, em qualquer idade da vida.

Alguns estudos relacionam os abusos sexuais na infância com diversos problemas psicológicos e psiquiátricos durante a adolescência e vida adulta, como: comportamentos sexuais autodestrutivos e compulsivos, além da pedofilia e outras doenças descritas na Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento.

Outra consequência observada é em relação a resiliência e auto perdão em mulheres que foram vítimas de abuso sexual na infância.

Elas sofrem com baixíssimos níveis de esperança, capacidade para o autoperdão e níveis mais elevados de sintomas de estresse pós-traumático, quando comparados a outras mulheres que apresentaram circunstâncias semelhantes mas nunca sofreram abuso sexual infantil. 

Margaret Carvalho e Lira, mestre em psicologia, afirma que as alterações podem variar em tempo e intensidade e afetam o referencial de vida de vítimas resultando em grandes sofrimentos emocionais. 

O abuso sexual traz deturpações na autoimagem do indivíduo, as crianças não têm como entender que não são culpadas pelo que está acontecendo

Em seu livro “Abuso sexual da criança: uma abordagem multidisciplinar”, Tilman Furniss, psiquiatra e autor alemão, afirma que as crianças vítimas de abuso infantil prolongado frequentemente expressam sentimentos de culpa independentemente do grau de cooperação. 

E esse sentimento vem de uma falsa sensação de responsabilidade que vem do fato de ter sido uma participante do abuso.

O nosso papel como Igreja

Como Igreja e Corpo de Cristo, nós temos a obrigação de sermos a voz dessas crianças e cuidar delas, nossa obrigação é receber aqueles que sofreram esses abusos e carregam as consequências dentro de si até hoje.

Cada um de nós como embaixadores de Cristo na terra, que professamos uma fé sincera, temos a responsabilidade de cuidar das crianças, dos órfãos e das viúvas. 

É o nosso papel protegê-las, pois nas palavras do próprio Jesus, o Reino dos céus pertence aos seus pequeninos (Mc 10:14).

As crianças não são apenas os “adultos do futuro”, elas são seres humanos inteiros, completos, criados com um propósito eterno e são muito valiosas para Deus, não podemos menosprezá-las.

Jesus deixou bem claro quando disse para termos cuidado para não desprezarmos um só destes pequeninos e ainda afirmou que os anjos deles nos céus estão sempre vendo a face de Deus. 

Jesus expressa a responsabilidade que temos por cada uma das pessoas, 99 não é 100  Deus se importa de forma individual com cada um de nós e não quer que nenhum destes pequeninos se perca. (Mt 18:10-14)

Não desacredite das crianças porque elas têm grandes imaginações, mesmo que não esteja ocorrendo um abuso de fato, esse tipo de relato é sempre um sinal de alerta para o que elas estão vendo, ouvindo e sentindo.

“Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 10:14)

É importante instruí-las sobre quando um toque não é afeto, não deixe de ensiná-la por medo, o conhecimento pode livrá-la de uma situação desastrosa e destrutiva no futuro

Para auxiliar nisso, uma organização evangélica em Montevideo, Uruguai (Juventude Para Cristo), elaborou uma metodologia de prevenção da violência e do abuso sexual contra crianças e adolescentes, além da promoção de bons tratos.

A metodologia já foi utilizada em mais de 21 países e já está disponível no Brasil há 12 anos

A metodologia se baseia no desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, através de atividades lúdicas e envolvimento com a família, tendo como palavras-chave: 

  • Cosmovisão e Antropologia Cristã, 
  • Missão Integral, 
  • Direitos das Crianças e Adolescentes,
  • Protagonismo, 
  • Resiliência, 
  • Prevenção, 
  • Justiça de Gênero e Geracional
  • Aprendizagem.

Para saber mais sobre isso acesse: http://www.clavesbrasil.com.br/ 

E caso perceba algum sinal de abuso, denuncie

Esteja atento aos sinais que possam estar ocorrendo, sejam vigilantes e mantenham as crianças longe de qualquer situação problemática. 

As denúncias podem ser feitas por telefone discando 100, pelo site do Ministério da Mulher, da Criança e dos Direitos Humanos ou pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil.

Como Igreja podemos desempenhar um papel verdadeiro de amar ao próximo e salvar o futuro de muitas crianças.

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2 thoughts on “Maio Laranja: Abuso Infantil e o Papel da Igreja

  1. Texto maravilhoso! Completo em informações, estatísticas, desafios e direcionamento. Precisamos conversar mais sobre isso, e cumprir o nosso papel como igreja.

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